Metodologia do barómetro
O que contamos, o que excluímos, de onde vêm os dados e como revemos valores passados.
De onde vem o método
Não inventámos o indicador. As licenças de construção são um indicador avançado reconhecido: o U.S. Census Bureau publica o Building Permits Survey mensalmente desde 1959, e o Conference Board usa-o no seu índice de indicadores económicos avançados.
Na Europa, o Eurostat publica um índice de licenças de construção (tabelas sts_cobp_m e sts_cobp_q), com índice de fogos e índice de área útil. Seguimos a mesma forma: índice sobre um período-base, séries em paralelo, calendário de publicação e regra de revisão.
A diferença é o atraso e o detalhe, não o ineditismo. Ao nível do país o número já existe, no INE e no Eurostat; e o INE publica mesmo, por concelho e todos os meses, os fogos licenciados em construções novas, com cerca de 40 dias de atraso. Por tipo de obra o INE também publica por concelho, mas só uma vez por ano e com cerca de seis meses e meio de atraso. O que não existe é esse detalhe todos os meses, nem com poucos dias de atraso. É aí que este barómetro acrescenta alguma coisa.
Calendário de publicação
Números novos no dia 8 de cada mês, cobrindo até ao mês anterior. A data é fixa e está no código, não numa promessa: uma série sem calendário não se cita, porque quem escreve não sabe se o número chega a tempo.
Unidade: o processo
Contamos processos de obras de edificação abertos nas câmaras municipais, um processo uma vez, no mês do seu evento de referência.
O evento de referência é declarado por câmara: onde a camada traz a data de entrada, é a entrada; onde traz apenas o ano, esse concelho não entra na série mensal. Misturar entrada com despacho numa só série seria juntar dois pontos do percurso separados por meses.
Taxonomia: a do INE, não a nossa
Cada câmara usa o seu vocabulário. Mapeamos tudo para as três classes do INE: construções novas; ampliações, alterações e reconstruções; e o total das obras de edificação.
Onde a câmara não diz o tipo de obra, o processo conta no total e aparece também como «não classificado» — a proporção é publicada ao lado do número.
O que fica de fora
Autorizações e comunicações de utilização, legalizações de existente, demolições autónomas, obras de conservação, alterações durante a execução e renovações de licença: ou não produzem edifício, ou contam duas vezes o mesmo.
Loteamentos e destaques também ficam de fora: são atos sobre o solo, e o inquérito do INE conta obras de edificação.
Os pedidos de informação prévia contam à parte: são uma pergunta, não um compromisso.
Sazonalidade
Agosto e janeiro caem todos os anos. Não aplicamos correção sazonal: com poucos concelhos e cinco anos, estimar um modelo seria ajustá-lo, não medi-lo.
Em vez disso publicamos três séries: o mês em bruto, a soma de 12 meses e a variação face ao mesmo mês do ano anterior.
Revisões: a série é guardada em instantâneos
As camadas municipais são reescritas retroativamente: um processo entrado em março pode aparecer na camada em maio, e um processo encerrado pode desaparecer.
Por isso cada recolha grava um instantâneo datado e não corrige o anterior. O número publicado em setembro continua acessível em novembro, e a diferença vê-se como diferença entre dois instantâneos.
Os três últimos meses são marcados como provisórios. Valores mais antigos que mudem entre instantâneos são declarados como revisão.
Painel fixo e cobertura crescente
O número de concelhos vai crescer à medida que mais câmaras abrem dados. Se o índice fosse calculado «sobre todos os que há hoje», a chegada de um concelho novo apareceria como crescimento económico.
O índice é por isso calculado sobre um painel fixo: só entram concelhos com o ano-base completo. Um concelho novo publica desde logo o seu nível e a sua variação anual, e entra no índice na revisão seguinte da base, que é anunciada.
Verificação contra o INE
O INE publica, por concelho, edifícios e fogos licenciados. É a única verificação externa que esta série tem, e tem secção própria na página do barómetro.
Os níveis não coincidem, e não devem: nós contamos entradas, o INE conta licenças concedidas. O que se compara é a direção e a amplitude do movimento.
Limitações conhecidas
Licença não é construção. Cobertura parcial: apenas as câmaras com dados abertos utilizáveis.
Arquivos digitais preenchem-se ao longo do tempo: nos primeiros anos de uma camada há menos processos porque há menos arquivo, não porque houvesse menos obra.
Camadas que mostram apenas o estado atual — e não o histórico — não entram na série, porque o passado encolheria sozinho.
Fontes e licença
No CSV descarregável, cada linha traz o endereço da camada municipal de onde foi contada, e cada número oficial traz o endereço exato do pedido ao INE.
Os nossos dados derivados são publicados sob CC BY 4.0. Os dados do INE são do INE, sob CC BY 4.0.
O sinal antecipado: pré-certificados energéticos da ADENE
O pré-certificado energético é emitido pela ADENE (Sistema de Certificação Energética, SCE) para cada fogo na fase de projeto. Não é uma licença nem uma obra iniciada: muitos projetos chegam à licença meses depois, alguns nunca. Usamos o contexto «Projeto Edifícios Novos», tipo «Habitação».
Cobertura: Portugal continental e Madeira. A ADENE não publica os Açores nesta estatística; não os contamos como zero. Um concelho sem linha num mês coberto teve zero pré-certificados nesse mês.
Os «12 meses» são sempre 12 meses seguidos cobertos por ficheiros da ADENE; se falta um, o número não é publicado. Se o mês mais recente tiver mais de 9 meses, a secção inteira desaparece da página.
O maior crescimento só se anuncia entre concelhos com mais de 50 mil habitantes e com pelo menos 50 pré-certificados nos 12 meses anteriores. O mapa usa escalões próprios por mil habitantes: 1,5, 3, 6 e 12.
Esta série nunca se soma aos fogos licenciados do INE nem se divide por eles: são etapas diferentes do mesmo caminho. A origem de cada linha — o ficheiro da ADENE e a sua impressão sha256 — está no nosso CSV /api/v1/barometer/sce.csv. Fonte: ADENE — SCE.
Barómetro da construção por concelho
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